No site da ABF há uma reportagem do jornal carioca O Dia, de 09/03, que fala sobre a maior rentabilidade das franquias sob a gestão de mulheres. Transcrevo abaixo a reportagem.
Franquias sob liderança feminina faturam mais
Unidades têm receita até 32% maior, em média, do que as comandadas por homens
O Dia - RJ - 09/03
No mercado, as mulheres estão dando cada vez mais trabalho para os concorrentes. E, na liderança das empresas, elas também não dão moleza. No caso das franquias, hoje o sexo feminino já domina um terço das unidades no País. Além disso, as empresas franqueadas comandadas por mulheres têm faturamento 32% maior.
Os dados são de uma pesquisa da Rizzo Franchise, consultoria especializada em franquias. De acordo com o levantamento, nos últimos cinco anos, a participação feminina nesse modelo de negócio cresceu significativamente. Entre 8% e 10% ao ano.
De acordo com Marcus Rizzo, especialista em franquias, foram apontadas três razões para o grande sucesso das mulheres. A primeira é a dedicação maior. "A mulher se dedica mais ao negócio. Elas, em geral, são mais presentes que os homens. Elas abraçam a oportunidade com toda a força", diz Rizzo.
A segunda razão é a postura mais receptiva. "No treinamento, o homem chega com a mentalidade de 'eu já sei', enquanto a mulher vem com a de 'quero aprender'", explica o especialista
A terceira é a capacidade de liderança. "A rotatividade nas franquias de mulheres é bem menor. Isso indica que elas têm mais capacidade para desenvolver equipes de trabalho que os homens".
EMPRESÁRIA E MÃE
Muitas mulheres, além de lidar com os negócios, precisam enfrentar a jornada de mães e de esposas. Por isso, elas vêem as franquias como uma oportunidade de ficar mais perto de casa e da família, para terem sucesso e não se ausentarem dos deveres com os filhos.
E, de acordo com Marcus Rizzo, a participação maior de mulheres nas franquias é um movimento que não deve parar. Pelo contrário, a tendência é que o crescimento de até 10% ao ano faça com que os dois sexos ocupem postos de comando por igual em cerca de 10 anos. "É um caminho sem volta", afirma Rizzo.
Mãe e empresária. Como se dividir
Além da participação maior em suas empresas, as mulheres estão também variando os mercados. "Não é mais em um negócio específico, como o de saúde e de beleza ou de vestuário. Agora, elas vão para diferentes ramos, como postos de gasolina e oficinas mecânicas. Não existem mais 'negócios de mulher'", diz Marcus Rizzo.
Filha de um empresário, Alessandra de Araújo, 39 anos, nunca enfrentou preconceito no mundo empresarial e carrega o gene empreendedor. Com 20% de participação na Fernandes Araújo, ela passou por algumas das melhores universidades do mundo para se qualificar.
Hoje, ela é diretora da empresa. "Meu pai sempre me apoiou. Inclusive a buscar experiências fora da própria empresa", conta.
Alessandra é mãe de gêmeos de três anos. E, para ela, dividir o tempo entre os filhos e o trabalho não é nada fácil. "Gerencio do jeito que posso. Em primeiro lugar vem a família, meus filhos", garante.
Mas explica que nem sempre consegue êxito total na empreitada. "A culpa acompanha a mulher, a mãe. Quando eu chego em casa e vejo meus filhos já dormindo no berço, meu peito aperta", desabafa.
Para Alessandra, há grandes diferenças entre o comando masculino e o feminino. "A mulher, normalmente, tem mais tato. Tem uma percepção diferente. Mas isso não quer dizer que seja sempre melhor ter chefe mulher. As condições são distintas".
Ela vê a liderança feminina como diferencial. Para Alessandra, a mulher tende a ser mais detalhista e tem percepção maior do funcionário como um todo. "Digo até que nós temos um sexto sentido. E sabemos nos colocar melhor", afirma a empresária.
Sem discriminação em setor onde domínio é dos homens.
Dentro do mercado da construção civil, a participação masculina sempre foi maior que a feminina. Elaine Cóndor, 35 anos, começou com o escritório de arquitetura Arte a Metro há 10 anos e, há dois, resolveu investir também em construção industrial e incorporação imobiliária. Apesar de ter a ajuda do marido, seu sócio, ela garante que é ela mesmo que fica na linha de frente.
Mesmo em um meio predominantemente masculino, ela não vê preconceito. "Não sinto nada disso. E acho que eu já me habituei", diz a empresária.
Ela conta que trabalhou sem problemas por muitos anos em obras onde era a única mulher. "Eu até sinto falta de ter outras mulheres trabalhando comigo, mas preconceito eu não sofro", explica Elaine, para quem a chegada de uma mulher à Presidência da República ajuda a quebrar os padrões.
Mas, apesar da dedicação ao trabalho, para ela a família vem em primeiro lugar. "Da hora em que chegamos em casa até a hora que nossos filhos vão dormir, somos pai e mãe".
Ela explica que, quando leva tarefas para casa, elas só são resolvidas após as 22h. "Mesmo que eu fique até as 5h trabalhando".
Elaine considera a capacidade de desenvolver várias atividades o melhor diferencial da mulher líder. Na entrevista, perto do fim do expediente, a mãe falou mais alto: "Hoje, é o baile de Carnaval da escola deles. E eu vou para lá".
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